FADIGA MENTAL

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Acabo de ser apresentada a um termo que me serviu como uma luva: fadiga digital. Agora então é oficial e, finalmente, o esgotamento que a hiperconectividade causa em nossas mentes está sendo estudado. Será que está em xeque? Acho precoce afirmar.

Em 2012, quando o mundo corporativo engatinhava nesse campo, uma amiga e eu já grassávamos a passos largos no home office. Fomos sócias por um bom tempo, fazendo projetos de conteúdo impresso, 100% em casa. Nossa principal ferramenta de comunicação era o Messenger, quando plataformas como Zoom, Teams, Meet eram apenas palavras soltas em inglês.
Criamos um case de sucesso. O processo era totalmente online, da concepção à emissão da Nota Fiscal e pagamento. Fomos uma grande dupla. Precursoras, visionárias sem saber. Mas não era cansativo, não nos esgotava. Porque fora do expediente a gente desconectava.
Anos depois, durante a pandemia, comecei a me sentir estranha quando as reuniões online passavam de 1h. Perdia o foco a partir disso. O ambiente virtual exige demais. Não se vê as expressões faciais, tem câmera desligada, gente de roupão, microfone aberto com ruído de fundo. E aqueles que antes não abriam a boca e hoje se manifestam em todos os assuntos. É muita informação ao mesmo tempo.
Quase não falo sobre isso. Parece descompromisso com o trabalho. Mas agora encontrei abrigo. Segundo a líder de comunicação em nuvem Twilio, estou entre os 36% dos consumidores globais e 44% os brasileiros neste estado de exaustão com sério impacto na saúde e no bem-estar. Sinal que precisamos puxar o freio de mão e refletir: o novo é sempre melhor?

Publicado no Portal ABC Mais em 16/01/2026. 

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