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O novo jeito de assistir filmes agora é com um olho na TV e outro no celular. Ninguém mais tem paciência para longas de três horas e as produções, muitas vezes, não são aquilo tudo. Afinal, não conseguimos ficar mais de dez minutos sem mexer no telefone, seja para pesquisar sobre o que estamos assistindo ou apenas para rolar o feed. É um cacoete.
Para competir com a telinha, a tela média precisou se adaptar. E criou o chamado dumb down, efeito de deixar as coisas mais leves e fáceis de absorver. Seria uma idiotização do conteúdo para que possamos, enfim, fazer as duas coisas simultaneamente. E as novas séries já estão chegando à nossa casa nesse modelo, atendendo a um pedido das plataformas de streaming.
Fica a pergunta se isso veio para ficar e nunca mais vamos ter profundidade e histórias que tenham algo a nos dizer, além de roubar nossos dois bens mais precioso na atualidade: tempo e atenção.
Para quem é do tempo em que ir ao cinema era um baita programa — quase um acontecimento —, é no mínimo estranho ver a diminuição dos filmes “para pensar” em detrimento dos filmes infantis e de super-heróis, que arrebanham o gosto da família toda. Eu, inclusive, adoro passear por esses universos fantásticos. Mas às vezes bate uma saudade de desligar, fazer uma imersão numa nova Lista de Schindler e sair mudada.
Será saudosismo querer qualidade? E como nunca mais é tempo demais, penso que ali adiante vamos ter uma nova virada de chave. Quero acreditar que ainda viveremos para assistir a sofisticação ou a intelectualização e que vamos rir disso tudo. Porque a vida é circular.
Publicado no Portal ABC Mais em 09/01/2026.

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